Os olhares de acionistas e dirigentes empresariais em geral são direcionados para balancetes, métricas de retorno de capital, EBTIDA, entre outros resultados tangíveis. Indicadores estes, são muito importantes para gestão e tomada de decisão.
Entretanto, as batalhas invisíveis, aquelas que começam despercebidas pela maioria das pessoas e de repente tem um ponto de virada, são as que passam a gerar mais desafios ao consumir tempo, energia, foco e recursos da organização.
As emoções mal resolvidas de cada funcionário, faz com que os mesmos reajam de maneira exagerada às ações de outros; as fofocas, os mitos, as pessoas na zona de conforto e o medo da mudança resultam em rotinas tensas e entraves para o crescimento.
Algumas lutas travadas em silêncio nos corredores, pré-acordos antes de entrar em salas de reuniões, traições entre colegas são padrões bem corriqueiros na agenda corporativa. Outro exemplo é uma cultura viciada: “Eu faço desta forma, porque sempre fiz assim e ninguém mexe aqui”.
Devido à frequente dificuldade de identificar a causa raiz e o prejuízo monetário gerado pelos temas “invisíveis”, estes muitas vezes não entram na pauta da alta gestão. Desta forma, ao passar do tempo as consequências aparecem sim ou sim, seja com a equipe olhando para o futuro com os olhos do passado, seja perdendo as melhores pessoas da equipe, reduzindo lucro ou destruindo mercados.
Portanto, é recomendável atribuir a mesma importância destinada a avaliação do fluxo de caixa da empresa à identificação das batalhas invisíveis que estão consumindo-o e prejudicando o bem-estar dos funcionários. Ao trazer à luz essas questões invisíveis, as empresas tem a oportunidade de prevenir crises futuras e construir uma cultura organizacional aberta para mudanças.
Para iniciar processo de mudança, é fundamental que as pessoas estejam atuando em sincronia com foco nos mesmos objetivos e, de tal modo criar uma cultura coesa e sólida. Liderar é servir, transformando essas batalhas invisíveis em um compromisso coletivo, onde cada indivíduo alinha-se para promover a sua própria transformação e a da empresa. Assim, a cultura se transformará na estratégia em ação.
Leticia Marodin, fundadora e consultora da Markenz Consulting